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História e origem da páscoa

Pessach (do hebraico, passagem) é a celebração que recorda a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito, conforme narrado no livro de Shemot (Êxodo). Inicia-se na noite de 14 de nissan e se prolonga por 7 dias em Israel e por 8 dias na diáspora. É a maior e mais antiga das festividades judaicas. Também festa da primavera: os brotos saem da casca, como Israel saiu do Egito.

É importante notar que Pessach significa passagem, porém a passagem do anjo da morte, e não a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho ou outra passagem qualquer, apesar do nome evocar vários simbolismos. Passar por cima, saltar, e assim se denominou, porque o Anjo que matou os primogênitos dos egípcios "saltou", isto é, "passou por cima" das casas judias, poupando os seus filhos mais velhos.

Celebração de Pessach na época do Segundo Templo

Pessach caracterizava-se por ser uma das três festas de peregrinação ao Templo de Jerusalém. Um mês antes da festividade, Jerusalém tinha suas estradas reformadas e poços restabelecidos para garantir o conforto aos peregrinos. Geralmente todos aqueles que distanciavam trinta dias de jornada de Jerusalém vinham para as festividades, o que aumentava a população de cerca de 50 mil para cerca de três milhões.

Em 14 de nissan, pela manhã, o Hametz (alimento fermentado) era eliminado e os sacerdotes do Templo preparavam-se para Pessach. O trabalho secular encerrava-se ao meio dia e iniciavam-se os sacrifícios às quinze horas. A oferenda de Pessach constituía-se de cordeiros ou cabritos, machos, de um ano de idade, e abatidos pela família (era permitido um cordeiro por família) em qualquer lugar no pátio do Templo. O shochet efetuava o abate, e o sangue era recolhido pelos cohanim em recipientes de prata e ouro, que passavam de um para outro até o cohen próximo ao altar, que aspergia o sangue na base deste altar. O recipiente vazio depois retornava para novo uso. Estes recipientes não podiam possuir fundo plano par evitar a coagulação do sangue. Em seguida, o animal era pendurado e esfolado, e aberto tinha suas entranhas limpas de todo e qualquer excremento. A gordura das entranhas, o lóbulo do fígado, os dois rins com a gordura sobre estes e a cauda até a costela eram retirados e colocados em um recipiente, salgados e queimados sobre o altar.

Deixando o templo, cada família carregava seu animal sacrificado e o assava, fazendo em suas casas uma ceia festiva, onde todos se vestiam de branco. Esta ceia seguia os princípios do atual Seder de Pessach, com exceção da inclusão do cordeiro pascal. Após a ceia, muitos iam para as ruas festejar, enquanto outros iam para o Templo, que abria suas portas à meia-noite.

Com a destruição do Segundo Templo, a impossibilidade de haver um local de reunião e sacrifício tornou inviável o prosseguimento dos sacrifícios de cordeiros. Inicia-se então a transformação de Pessach em uma noite de lembranças, sem o sacrifício pascal.

A comemoração de Pessach

Durante a comemoração de Pessach, é terminantemente proibido comer Hametz, isto é, qualquer produto feito com cereais e que possa fermentar: pão levedado, massas, etc, para lembrar-se quando, um povo inteiro, conduzido pela vontade de D’us e guiado por Moshê, saiu tão apressadamente do Egito que a massa preparada para a produção do pão não teve tempo de fermentar. Portanto, é obrigatório comer pão sem levedo, ou pão ázimo: a Matzah.

A cada geração cada ser humano deve-se ver como se ele pessoalmente tivesse saído do Egito. Pois está escrito: "Você deverá contar aos seus filhos, neste dia, "D'us fez estes milagres para mim, quando eu saí do Egito".

A festa de Pessach é antes de tudo uma festa familiar, onde nas primeiras duas noites (somente na primeira em Israel) é realizado um jantar especial chamado de Seder de Pessach. Desta refeição somente devem participar judeus e gentios convertidos ao judaísmo. Neste Seder a história do Êxodo do Egito é narrada (Shemot 12:14-20,24-27), e se faz as leituras das bençãos, das histórias da Haggadah, de parábolas e canções judaicas. Durante a refeição, come-se pão ázimo (Matzah) e ervas amargas (Harosset), e utiliza-se roupa de sair para lembrar-se do "sair apressado da terra do Egito".

O Seder é dividido em 15 partes, iniciando-se com orações e um gole de vinho. A criança mais nova da família inicia o ritual com quatro perguntas em forma de canto sobre o sentido das cerimônias e a saída dos judeus do Egito. Passa-se então às leituras da Haggadah. Por essa leitura procura-se ensinar às futuras gerações por que aquela noite não é como as outras.

No Pessach são as crianças que conduzem a festa. Cabe a elas abrir a porta para a visita de Eliyahu (Elias) que, segundo a tradição, visita todos os lares nesta noite para trazer suas bênçãos. As crianças demonstram, abrindo as portas, a segurança de estarem sob a proteção de D’us. São elas também que participam da busca do Afikoman, um pedaço de Matzah que os mais velhos escondem pela casa e comida ao final da refeição.

O centro do Seder é a bandeja ritual, com os alimentos simbólicos:

Pão ázimo (Matzah) é o pão sem levedo. Sem levedo por quê? O levedo faz a massa estufar, como o orgulho leva os homens a estufar de importância. E o judeu deve dar prova de humildade diante do todo-poderoso que o tirou da escravidão.

Raízes amargas (Harosset), que traz a recordação simbólica do amargor da escravidão.
Figos, nozes socados, purê de maçãs ou tâmaras, lembrança da argamassa usada nos trabalhos de construção do Egito.

Também faz parte da tradição comer ovos, símbolo da vida eterna.

Quando Yeshua e seus seguidores se reuniram para a ceia, antes de sua prisão e morte, eles celebravam o Seder de Pessach. O pão que naquela noite foi repartido era o pão ázimo, a Matzah.

Quando o pessach cai num sábado chama-se Shabat Hagadol, porque os judeus saíram do Egito também num sábado.

O primeiro dia representa a saída do Egito e o sétimo a passagem pelo mar vermelho, onde os judeus atravessaram em terra firme e seca, e cantou-se a Shirah. Os dias intermediários são chamados de Chol Hamoed.

Pessach é hoje uma festa central do Judaísmo e serve como uma conexão entre o povo judeu e sua história. Antes do ínicio da festa, os judeus removem todos os Hametz de seus lares e os queimam. Não é permitido permanecer com Hametz durante a Pessach. Os objetos de hametz são escondidos, e outros, passíveis de um processo de casherização são mantidos, os utilizados para cozinhar passam pelo fogo, e os de comidas frias passam pela água. É proibido realizar qualquer trabalho depois de meio-dia de 14 de nissan, ainda que um judeu possa permitir que um goy realize este trabalho

Esta é a ordem a ser seguida no Seder de Pessach:

Kadesh ( santificação) - Recitação do kidush e a ingestão do primeiro copo de vinho.
Urchatz ( lavagem) - Lavagem de mãos.
Karpas - Mergulha-se karpas (batata, ou outro vegetal), em água salgada. Recita-se a benção e a karpas é comida em lembrança às lágrimas do sofrimento do povo de Israel.
Yachatz ( - divisão da Matzah) - A Matzah é partida ao meio e embrulha-se o pedaço maior e separando-o de lado para o Afikoman.
Maguid (conto) - Conta-se a história do êxodo do Egito e sobre a instituição de Pessach. Inclui a recitação das "Quatro perguntas" e bebe-se o segundo copo de vinho.
Rachatzá (lavagem) - Segunda lavagem de mãos.
Motzi Matzah - O chefe da casa ergue os três pedaços de Matzah e faz as bençãos das Matzot .As Matzot são partidas e distribuídas.
Maror (raiz forte) - São comidas as raízes fortes relembrando a escravidão e o sofrimento dos judeus no Egito.
Korech ( sanduíche) - Faz-se um sanduíche com a Matzah, Maror e Harosset.
Shulchan Orech - É realizada a refeição festiva.
Tzafon (escondido) - Aqui é comida a Matzah que havia sido guardada.
Barech (Bircat HaMazon) - É recitada a benção após as refeições. Bebe-se o terceiro copo de vinho.
Halel (louvor) - Salmos e cânticos são recitados. Bebe-se o quarto copo de vinho.
Nirtza (ser aceito) - Alguns cânticos são entoados e têm-se o costume de finalizar o jantar com os votos de LeShaná HaBa'á B'Yerushalaim - "Ano que vem em Jerusalém" como afirmação de confiança na redenção final do povo judeu.

Curiosidades

É costume se estudar as leis referentes a Pessach trinta dias antes da festividade.
Em Israel, é fornecida farinha e outras necessidades aos pobres para que nada lhes falte em Pessach. O dinheiro para estas necessidades é originado de um imposto à comunidade.

É costume os primogênitos jejuarem na véspera do Seder (14 de nissan) para relembrar a salvação dos primogênitos das pragas do Egito e do perigo que estiveram expostos. As sinagogas costumam executar um Sium Massechet (término de estudo de uma Guemara), onde o primogênito que presencie o Sium não precise realizar o jejum.

Os judeus samaritanos, que defendem a santidade do monte Gerizim continuam realizando os sacrifícios pertinentes à Pessach até os dias de hoje.

Recomenda-se que a casa esteja limpa para que não fique nenhum Hametz, proibido no Pessach. O conceito de Hametz é simbólico. Representa os defeitos das pessoas, que devem fazer um exame de consciência de seus atos, de seu comportamento, para se libertar de suas más qualidades.

Chag Matzot (festa dos pães ázimos) é o nome dado aos sete dias de comemoração após o Seder.

Haggadah, do hebraico, "narração". É o texto utilizado para os serviços da noite de Pessach, contendo a leitura da história da libertação do povo de Israel do Egito conforme é descrito no livro de Shemot. Por celebrar esta libertação, Pessach é a mais importante das Festas Judaicas, e cada judeu tem por mandamento narrar às futuras gerações esta libertação. A Haggadah contêm a narrativa desta libertação, as orações, canções e provérbios judaicos que acompanham esta festividade. Na verdade, não existe um texto único de Haggadah: os diversos ramos do judaísmo têm suas variantes, conforme a orientação do específico rabino de cada sinagoga. Também corporações e instituições podem ter seu texto particular de Haggadah.